Carro mais barato do mundo é lançado na Índia
O construtor de automóveis indiano Tata Motors apresentou ao mundo o seu novíssimo modelo, o Nano, que pretende ser o mais barato dos carros low cost, que começam a ser construídos nos países emergentes. Este veículo é um produto típico do atual surto de globalização da economia mundial, centrado no desenvolvimento galopante da China e da Índia. Na cerimônia inaugural, o pequeno modelo de quatro lugares surgiu entre os acordes do poema sinfônico de Richard Strauss, “Assim falou Zaratustra”, que foi tema musical de "2001: Odisseia do Espaço", de Stanley Kubrick, inspirando o patrão do imenso conglomerado, Ratan Tata, de 70 anos. Ele atribuiu a este lançamento importância para a história do automóvel comparável à do primeiro vôo dos irmãos Wright para a aviação ou da primeira alunagem para a aventura espacial.
O Nano, enésima reencarnação da idéia de "carro do povo", tem o preço de 100 mil rúpias, o equivalente a 2500 dólares (1700 euros) e vem dotado de um pequeno motor traseiro de 624 cm3, com potência equivalente a de muitas motos. Não tem vidros elétricos, nem climatização. Teoricamente poderá atingir os 105 km/h, mas, na prática, acabará restrito aos 50 km/h de velocidade média nas cidades indianas. O meio milhar de engenheiros indianos que o concebeu trabalhou com consultores alemães e italianos, para reduzir materiais, conteúdo tecnológico e peso do carro estritamente ao mínimo.
Ratan Tata, ciente da controvérsia que rodeou a apresentação deste modelo, respondeu àqueles que classificou de detratores, afirmando que o Nano respeitava "as exigências européias de segurança e de emissões de gases com efeito de estufa, poluindo muito menos do que os veículos de duas rodas, que saem actualmente das fábricas indianas." O senhor Tata comanda um imenso grupo empresarial, com 96 filiais setoriais, que vão da produção de chá à fabricação de caminhões, da siderurgia ao setor químico, da informática e telecomunicações aos serviços financeiros.
A expectativa de vendas do Nano situa-se em um milhão de unidades ao ano. Este valor ganha a sua real dimensão se atentarmos ao fato de na Índia, com 1,1 bilhões de habitantes, circularem apenas 7 milhões de automóveis ( um carro para cada 157 indianos). Na China, a relação equivalente é de um automóvel para cada 38 chineses, enquanto na Europa e nos Estados Unidos da América circula um veículo por cada 2 habitantes.
Espera-se que, no decurso de 2008, a empresa chinesa Guangzhou Motors, aliada da indiana Xenitis, lance seu veículo popular, igualmente com o preço-alvo de 2500 dólares. No ano passado a economia chinesa cresceu 11,7%, enquanto a indiana avançava 9%. Embora se espere algum abrandamento no ritmo anual de crescimento econômico ao longo dos próximos cinco anos, é na Ásia e, em particular, nos dois colossos emergentes, que vai continuar a concentrar-se metade do crescimento real de todo o mundo. Até 2030, a Agência Internacional de Energia estima que o número de carros a circular na China se multiplicará por 7, atingindo 270 milhões de veículos.
Esta evolução ilustra bem a pressão ambiental exercida já agora sobre as matérias-primas e os combustíveis pelas procuras conjugadas destas duas potências asiáticas. Bem como o agravamento dos custos ambientais desta cavalgada desenfreada, pressionada pelo acesso de centenas de milhões de pessoas ao estatuto cosmopolita da classe média, sem que, entretanto, se tenham tomado as medidas necessárias para evitar as piores práticas poluidoras do estilo de vida e de produção ocidentais. A multiplicação de veículos privados, acessíveis a cada vez maior número de famílias, só agrava um fenômeno, até agora incontrolado.
Notícia atualizada em 13/01/2008